DE VISTA E DE FUGIDA

Longo vai o meu canto

Longo vai o meu canto,
Sem eco na paisagem que atravesso.
Nele me despeço
Lentamente da vida.
De todas riquezas que ela tem,
E ninguém
Possui senao de vista e de fugida.

Longo vai o meu canto,
Sem eco porque nunca foi ouvido.
Nele, humano e dorido,
Protesto contra a minha condiçao
De mortal sem nenhuma garantia...
Longo vai o meu canto
E o desencanto
Desta longa porfía...

Diario X

Miguel Torga

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