AR NOCTURNO DO MANGUE

Chuva de caju


Como te chamas, pequena chuva inconstante e breve?

Como te chamas, dize, chuva simples e leve?

Tereza? Maria?

Entra, invade a casa, molha o chão,

Molha a mesa e os livros.

Sei de onde vens, sei por onde andaste.

Vens dos subúrbios distantes, dos sítios aromáticos.

Onde as mangueiras florescem, onde há cajus e mangabas,

Onde os coqueiros se aprumam nos baldes dos viveiros

E em noites de lua cheia passam rondando os maruins:

Lama viva, espírito do ar noturno do mangue.

Invade a casa, molha o chão,

Muito me agrada a tua companhia,

Porque eu te quero muito bem, doce chuva,

Quer te chames Tereza ou Maria.

                                              

Poemas
Joaquim Cardozo

Imaxes IA

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